Grupo Negricultura Jovem

 

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Cultura Negra, Cultura Jovem

O grupo “Negricultura Jovem” nasce na comunidade do Canoão, em Ibititá (BA), a partir das ações do Projeto Juventude Quilombola, executado pelo Centro de Assessoria do Assuruá (CAA), com o patrocínio da PETROBRAS.  O Grupo está inserido numa comunidade onde as primeiras famílias, oriundas da região de Brotas de Macaúbas, na região da Chapada Diamantina, procuraram melhores condições de vida e sobrevivência.

Descendentes quilombolas, os primeiros habitantes, Ermínio Marques, Plácido Marques, Zé Candido e Adonias Ribeiro Alencar chegaram à região em busca de melhores condições de vida e encontraram uma boa área de caatinga, com solo adequado para a agricultura e também um espaço favorável para a criação de animais. Os primeiros habitantes, boa parte delas descendentes de índios e escravos, encontraram boa disponibilidade de água, através de vários caldeirões de pedra que guardavam água da chuva e lagoas, que não secavam durante o ano todo e garantia água de sobra para as famílias e os animais.

O nome da comunidade foi inspirado pela presença de reservatórios naturais de água, a que os pioneiros chamavam de ‘canoões’ de água. Nos primeiros tempos, a localidade se organizou em um pequeno aglomerado de casas simples, cultivando uma rotina familiar onde todos se ajudavam frente às dificuldades estruturais na ausência dos serviços básicos.

O Canoão possui a presença da igreja Católica e de igrejas evangélicas. Comemora-se as festividades do padroeiro local, e também mobilizações da associação local para a celebração do Dia da Consciência Negra. Existe um grupo de reisado, e rezadoras conhecidas como dona Dorinha e dona Maria.

Organização Social e Aspectos Produtivos

O Canoão apresenta um nível notável de organização social, contando com a presença de 3 associações: a Associação de Remanescentes de Quilombolas, a Associação dos Produtores Rurais de Canoão (APRUC) e a Associação dos Agricultores de Canoão. Elas atuam juntas pelo fortalecimento da população local, tendo conquistado melhorias para a comunidade, se destacando o processo de certificação do Canoão como comunidade tradicional quilombola.

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O processo de auto reconhecimento e certificação pela Fundação Cultural Palmares foi importante para construir uma noção de valorização da identidade quilombola para a comunidade e entre as próprias famílias. Porém, existe uma longa caminhada pela frente, especialmente no que diz respeito aos jovens, que ainda encontram dificuldades em se identificar com a cultura local e se reconhecer enquanto remanescente de quilombos.

A base econômica do Canoão é composta pela agricultura familiar, que envolve a maioria das famílias que residem no local. As famílias cultivam suas terras basicamente plantando milho, mamona e feijão. Destaca-se também o potencial de produção do umbu e as criações de cabras e ovelhas. A presença dos atravessadores dificulta o incremento de renda da comunidade, assim como a falta de uma agroindústria, um antigo desejo. Mas os programas de incentivo a agricultura familiar como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) estão oferecendo alternativas de comercialização mais justas às famílias locais. Programas sociais de transferência de renda e de crédito como o Bolsa-Família, o Garantia Safra e o PRONAF são acessados por parte das famílias. Alguns jovens já acessam programas de fomento ao ensino como o PRONATEC, FIES e PROUNI.